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Duas de treta

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Duas de Treta com . . . Daniel Rodrigues

Daniel Rodrigues é um software developer, que reside em Braga e utiliza a bicicleta como meio de transporte diário. Isso impossibilita-o de levar o computador para o trabalho? Não. Quando está a chover, procura uma alternativa? Não. Nos dias em que está mais confusão nas estradas, é o último a chegar ao escritório? Também não.

Mas o que é que leva alguém a deixar o conforto do carro para abraçar o conceito da bicicleta? Bem, corria o ano de 2017 quando o Daniel fartou-se dos carros. Não era para ele. Assumindo que é uma pessoa que gosta de conduzir à vontade, rapidamente ficou claro que o automóvel não era a escolha acertada. “Aqui no centro, andar de carro não é nada bom e estacionar o carro ainda é mais complicado”, explicou.

O processo de largar o carro prometia ser difícil e, para ir deixando este hábito de forma mais fácil, o autocarro aparecia como a opção mais provável. Mas não. “Nem coloquei essa hipótese”. A dependência de horários e pouco flexibilidade de trajetos não agradavam. Para além disso, tinha de partilhar as estradas bracarenses com outros automóveis. Não havendo uma via única para o autocarro, não havia motivos para deixar o carro e começar andar de transportes públicos.

Eis que surgiu a escolha que melhor servia ao Daniel: a bicicleta. “Comecei por fazer um período de experiência. Peguei numa bicicleta que tinha lá para casa e fiz-me à estrada. A bicicleta nem era grande coisa…” Mas era aquilo que ele queria. Isso levou-o a investir numa bicicleta, para tornar o percurso mais confortável.

Eis que vieram as primeiras experiências à chuva. “Tinha de levar o meu computador comigo, mas para isso eu tinha capa. O resto foi um bocado complicado. E vergonhoso. Tinha de levar calçado e meias para trocar quando chegava ao escritório. Mas são coisas que se vai aprendendo. Agora tenho o equipamento necessário para chegar totalmente seco ao trabalho”. Mas, apesar de tudo, andar à chuva não é um mar de rosas. Para além da preparação a nível de equipamento, “é preciso força de vontade. Se quando está a chover a vontade de sair de casa é pouca, de bicicleta ainda menos. Mas, ao voltar para casa, levar com a chuva e chegar completamente seco, sabe bem. É refrescante”.

A chuva foi um obstáculo que deu luta, mas foi derrotado. Então, qual é o principal problema dos ciclistas urbanos? A resposta não podia ter sido mais rápida: “Sem dúvida as infraestruturas em Braga. Comecei por fazer a ciclovia, entre aspas, feita na Rua Nova de Santa Cruz. Mas aquilo foi tudo mal pensado. Foi uma infeliz decisão. E a zona em que passa para a Rua D. Pedro V? Simplesmente desenharam bicicletas no chão! Aquilo é mais buracos que outra coisa, a estrada está toda fissurada!”

E sinalização? “Está em falta”. Infraestrutura? “Não existe”. Estacionamento? “Em sítios devidos e seguros? Há poucos. E nem falo do estacionamento do Braga Parque, aquilo são argolas empena rodas!”

Apesar de todos estes “nãos”, o Daniel continua a dizer “sim” à bicicleta. “Se me vejo a mudar para o carro? Não. Eu tenho estacionamento pago no trabalho e não utilizo. Não tenho motivo para mudar”.

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